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sábado, 21 de maio de 2011

O desenvolvimento sustentável e a sociedade sustentável

Por Heverthon Rocha

Sustentabilidade é a palavra de ordem que ecoa por todo o mundo. As pessoas depositam na sustentabilidade todas as esperanças de um meio ambiente ecologicamente equilibrado. Muitos pensam, de forma equivocada, que o simples fato de haver sustentabilidade, siginfica que o mundo estará imune das agressões antrópicas que são praticadas diariamente por uma população carente de educação ambiental.

Portanto antes de expor o desenvolvimento sustentável e a sociedade sustentável, temos que entender que para se construir esta sociedade sustentável é fundamental que seja retirado do papel o que prevê a Política Nacional de Educação Ambiental (PNEA), instituída pela Lei Federal 9.795/1999. Esta legislação é fundamental para que a sustentabilidade propriamente dita seja uma realidade, e não somente uma palavra bonita, da moda ou utópica.

A PNEA apresenta a educação ambiental como importante processo de construção dos valores sociais e de uma sociedade sustentável, sendo essencial para sadia qualidade de vida, tendo em vista que busca reduzir e até mesmo banir o consumo irresponsável e promover o descarte consciente.

Após passar a vista por esta necessidade mundial que é a educação ambiental, vamos ver alguns conceitos de desenvolvimento sustentável. Primeiramente o termo trata do processo de geração de riquezas de forma que sejam utilizados os recursos naturais sustentavelmente, de modo a não comprometer a disponibilidade dos recursos explorados, possibilitando sua recuperação e recomposição. O desenvolvimento sustentável requer a adoção de medidas e mecanismos que permitam o acesso aos recursos naturais pelas presentes e futuras gerações.

Segundo o Dicionário Socioambiental Brasileiro, desenvolvimento sustentável ou sustentado, é o “modelo de desenvolvimento que leva em consideração, além dos fatores econômicos, aqueles de caráter social e ecológico, assim como as disponibilidades dos recursos vivos e inanimados, as vantagens e os inconvenientes, a curto, médio e longo prazos, de outros tipos de ação”. Este conceito apresentado é defendido pelo teórico e ambientalista indiano Anil Agarwal, onde segundo ele, não pode haver desenvolvimento sem que haja harmonia do ser humano com o meio ambiente.

Os processos de desenvolvimento não devem favorecer somente e unicamente a economia, mas também devem ser favoráveis aos ecossistemas e as espécies que habitam neles e que se interrelacionam numa constante troca de energia.

O Relatório Brundtland, formulado no ano de 1989 durante a Comissão Mundial de Meio Ambiental e Desenvolvimento das Nações Unidas, diz que a expressão desenvolvimento não se aplica aos processos produtivos onde o “crescimento econômico não se traduz em melhoria da qualidade de vida das pessoas e das sociedades”. Ou seja, o desenvolvimento, mesmo que seja grandioso, deve manter o foco na preservação do meio ambiente, garantindo saúde e qualidade de vida para toda humanidade e demais seres vivos.

Para Lester Russel Brown, analista ambiental, fundador e presidente da organização não-governamental Earth Policy Institute, de Washington DC, "Uma sociedade sustentável é aquela que satisfaz as suas necessidades sem diminuir as possibilidades das gerações futuras de satisfazer as delas".

A sustentabilidade também passa pela distribuição das riquezas geradas a partir da extração dos recursos naturais, exterminando com as desigualdades sociais e possibilitando dignidade aos seres vivos. Tendo em vista que a justiça social e a harmonia ambiental devem caminhar juntas.

A sociedade sustentável deve desencadear um constante processo de comprometimento e discursão a respeito do mundo que desejamos para as futuras gerações. A sociedade sustentável tem que ficar atenta para a sustentabilidade ambiental, ecológica, social, politica e econômica. Ou seja, a sociedade sustentável vai além do desenvolvimento sustentável.

O desenvolvimento sustentável por sua vez, é parte do processo de construção de uma sociedade sustentável, que não adotará o uso de combustíveis fósseis, substituindo as energias sujas e degradantes por outras de origem natural, renováveis e limpas (ex.: solar, eólica e outras).

Este novo modelo de socieade dirá não para a energia nuclera, ao desmatamento e a emissão de gases do efeito estufa (GEEs). Adotando um sistema de transporte baseado na coletivade e com emissões zero de poluentes. As bicletas devem ser o meio de transporte adequado e comum nesta sociedade, promovendo as relações interpessoais e promovendo a saúde física e mental das populações.

A partir destes conceitos, entendemos que enquanto o desenvolvimento sustentável busca “atende as necessidades do presente sem comprometer a capacidade de as gerações futuras atenderem a suas próprias necessidades” (Relatório Nosso futuro comum, 1991, p. 46), a sociedade sustentável é aquela que busca novas tecnologias e ações corretas para miniminazar ou até mesmo anular os processos de degradação do meio ambiente.

A educação na construção da sociedade sustentável

 Por Heverthon Rocha

Equilíbrio ecológico e qualidade de vida para o futuro
A educação é a principal ferramenta de construção de uma sociedade justa e cidadã. O conhecimento é atualmente um dos mais valiosos itens de consumo – mercadoria – disponível no mercado global. Para ter sucesso profissional, pessoal ou social, é exigido do individuo, ou seja, dos seres racionais humanos, que acumulem conhecimentos durante toda a vida.

A aquisição de conhecimentos tem início já nos primeiros instantes da vida do ser. Estes primeiros instantes nos remetem a gestação, quando na barriga da mãe, o bebê, ainda feto, já busca conhecer a voz, movimentos, esforça-se para ouvir e identificar os ruídos externos e internos, num meio com tantas limitações, úmido, escuro e com sons dos quais não temos lembranças.

Ao nascer o bebê de imediato identifica o cheiro da mãe, tendo a instintiva certeza de que este conhecimento lhe trará segurança e conforto para toda a vida. O conhecimento que o bebê tem de sua genitora vai mais além, passa pelo toque, tom de voz, pelas carícias, e tantos outros indicadores do relacionamento materno. Uma constante interrelação de amor e de afeto.

A criança precisa da presença de outras pessoas, possibilitando assim o seu crescimento e desenvolvimento intelectual. Necessitam do exemplo dos pais, irmãos, tios, primos e outras pessoas mais próximas, para assim crescer acumulando conhecimentos por meio da convivência em grupo. Confirmando-se o ditado popular tantas vezes proferido por nossos pais e avós, “Diga-me com quem andas e te direi quem és”, ou mais ou menos isso.

O ser humano, após o aprendizado doméstico, aquele que recebem em casa e que praticam nos primeiros meses de vida, precisa também ser introduzido em um sistema de aprendizado metódico, sistemático e recheado de muitas complexidades. A chamada educação formal. Com livros, professores qualificados e regras, muitas regras e metodologias diferentes.

Mas o que é afinal a educação? Segundo o psicólogo e educador carioca Carlos Rodrigues Brandão, autor do livro “O Que é Educação”, editora Brasiliense, 22ª edição, “ninguém escapa da educação”, pois é um processo envolvente e constante que está presente do primeiro ao último sopro da existência do ser, tem início com a vida e finda com a morte.

Para Brandão a educação tem como missão “transformar sujeitos e mundos em alguma coisa melhor, de acordo com as imagens que se tem de uns e outros”. Portanto educação vem do termo em latim educare, que significa tirar, extrair ou desenvolver, ou seja, é uma permanente relação de ensinar e aprender. Este processo é diferente do processo natural de desenvolvimento dos seres vivos, pois não é um processo involuntário, mas sim provocado e estimulado, muitas vezes negligenciado por pais e responsáveis que assume postura irresponsável.

Todos nós somos responsáveis por garantir a educação para estas crianças. Possibilitar que elas possam ter acesso a uma escola de qualidade, com professores motivados e que tenham compromisso com a construção de uma sociedade com homens e mulheres de bem. Uma sociedade com sustentabilidade moral, social, econômica, política e ambiental.

Educar não é fácil. Mais difícil ainda é ter que combater aqueles que não tiveram oportunidades de serem inseridos numa atmosfera com ares educacionais. Ter que esconder e empurrar às margens da sociedade os que foram excluídos do direito ao conhecimento desde os primeiros anos de vida.

A única forma de garantir o desenvolvimento social, cultural, econômico e ambiental de uma sociedade é oferecendo educação aos cidadãos em formação desde os primeiros anos de vida. A justiça social e o fim das mazelas que vemos nas esquinas, semáforos e ruas da cidade, somente serão uma realidade com a prática de políticas públicas voltadas para o fortalecimento da educação básica.

A Constituição Federal de 1988 distribui a responsabilidade pela educação infantil entre o Poder Público, a sociedade e aos pais, conforme descrito no Artigo 227 que trás o seguinte texto: “É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança e ao adolescente, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão.” Com base neste texto da Constituição Federal, é que devemos nos incumbir da responsabilidade pelo desenvolvimento de nossas crianças, sendo elas nossos filhos ou não. É fundamental que cada cidadão sinta-se responsável pela construção de um futuro socialmente justo e dignamente igualitário.

Portanto, temos que nós unir em prol de uma sociedade rica. Rica não somente economicamente, mas também rica em conhecimentos. Com um nível de desenvolvimento cultural construído sobre os resistentes e poderosos alicerces do conhecimento e da educação.

Somente com a distribuição de forma harmoniosa e justa do conhecimento é que teremos garantias melhores para que futuras gerações possam distribuir também suas riquezas culturais. A educação é a ferramenta indispensável na construção de uma sociedade sustentável e igualitária.